sábado, 10 de maio de 2008

O que há de inacabado em mim

Por Fabio de Melo

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.

Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.

Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.

Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

domingo, 4 de maio de 2008

de-ci-sões

(ou seria de cisões?!)

Tomar decisões fora do tempo certo (antes ou depois, não importa) estraga coisas preciosas na vida, como os sentimento de alguém, uma bela amizade, uma família, uma vida.

E se, mesmo assim, sabendo as conseqüências possíveis das nossas decisões, nós as tomamos é porque aquilo que estamos pondo em risco NÃO É TÃO IMPORTANTE, NEM PRECIOSO quanto achamos e pintamos para os outros (e para nós mesmos!) querendo provar...

Mas... Aquilo que não é verdade não há como ser provado e comprovado! A verdade não precisa de provas. Nós a sentimos no coração!!!

Desejo profundamente viver e EXPERIMENTAR a verdade em minha vida. Desejo conviver e me relacionar com pessoas verdadeiras e que me amem apesar de minhas fraquezas e limitações e que tomem meu partido! Que antes de me ferir pense ZILHÕES de vezes... Que jamais cogite a possibilidade de me magoar. E quando isso acontecer (é... o mundo e nem ninguém é perfeito), que saiba me consolar e confortar.

Será que é possível?