terça-feira, 15 de março de 2011

Felicidade

Hoje o dia está difícil!
Os dias têm sido difíceis ultimamente.
Quando ficamos gripados, perdemos o paladar...
As coisas ficam insossas, sem gosto...
Não fede e nem cheira...
Estou gripada!
E não só fisicamente...
Mas mentalmente...
Talvez até espiritualmente!
Tudo está sem gosto...
E isso dá um desgosto!
É difícil vencer-se a si próprio...
Coisa medonha de se escrever, talvez esteja fora dos padrões
lingüísticos e ortográficos, de todos os tempos. Mas de verdade... Eu
quero mais é que se foda todas essas regras que nos diz quem devemos
ser, como devemos ser, o que devemos sentir, como devemos expressar...
Chega! Não sou máquina, não! Sou humano, apesar de muitas vezes não
parecer. Apesar de diversas vezes parecer desumana...
A sociedade nos leva a isso...
E por isso, é difícil se vencer.
E se convencer do amanhã, do futuro, das coisas boas...
Quando você está imerso em coisas ruins, em sentimentos ruins.
Tenho olhado pra mim e visto somente aquilo que não quero ser.
Sem orgulho do que sou,
Sem esperança do que vou ser...
Ser feliz não é difícil!
O difícil é se convencer disso...

domingo, 13 de março de 2011

A dor que dói mais

por Martha Medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.

Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.


Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Algum dia

Florianópolis, sua linda!

Algum dia - Capital Inicial

Ninguém nunca te disse como ser tão imperfeito
Você tem tão pouca chance de alcançar o seu destino
É fácil fazer parte de um mundo tão pequeno
Onde amigos invisíveis nunca ligam outra vez

Talvez até porque ninguém ligue pra você

Se você quer que eu feche os olhos
Pra alguém que foi viver algum dia lá fora
E nesse dia se o mundo acabar
Não vou ligar pra aquilo que eu não fiz

Faz muito pouco tempo aprendi a aceitar
Quem é dono da verdade não é dono de ninguém
Só não se esqueça que atrás do veneno das palavras
Sobra só o desespero de ver tudo mudar

Talvez até porque ninguém mude por você

Se você quer que eu feche os olhos
Pra alguém que foi viver algum dia lá fora
E nesse dia se o mundo acabar
Não vou ligar pra aquilo que eu não fiz

Libertad!



Sinto-me presa. Enferrujada. Como se estivesse há muito tempo em um quarto escuro e ao ir na claridade não enxergo, não vejo.

Por quanto tempo deixei-me levar pelo cotidiano, pelo expediente e pela rotina? Tempo suficiente para sufocar meu lado criativo... meu lado bom, e, por assim dizer, feliz.

Quero romper com tudo isso, pagando o preço que for necessário pagar, sofrendo o que for necessário sofrer, crescendo tão mais do que o esperado e, por que não, cultivando o que for possível cultivar.

A vida é assim, no meio de tantos desencontros e confusão, podemos encontrar, se não a mais importante, a segunda mais: eu, você.

Quaresma, para os católicos tem o significado de conversão, de rompimento com o que nos faz infeliz. É isso que eu desejo para mim... e para todo o resto do mundo.

Para que daqui 40 dias (ou quem sabe menos, ou quem sabe mais) poder respirar livre e sentir a liberdade.