sexta-feira, 12 de junho de 2009

USP em guerra????

USP: Reitora não tem mais condições de continuar, diz Olgária Matos
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA SP

A filósofa Olgária Matos é professora titular daquela que é considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003, mas acompanha atentamente a vida da instituição, na qual ingressou como estudante no ano anterior à promulgação do AI-5, em plena ditadura militar.
Considera que "a reitora não tem mais condições políticas de se manter no cargo", mas teme que, de novo, "se derrube o tirano sem tocar nas razões da tirania". Abaixo, trechos da entrevista concedida ontem. (LC)

FOLHA - O que deu errado na terça-feira?
OLGÁRIA MATOS - É inadmissível que uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários tenha de se enfrentar com a polícia dentro do campus universitário. Os manifestantes podiam até ter objetivos criticáveis -ou não-, mas, desde a Academia de Platão até as universidades modernas, esse recinto é o único preservado da violência policial porque é definido como o local que luta contra a violência, contra a barbárie. É o local em que se produz conhecimento, especulações, ciência. O local que faz parte do repertório da humanidade para se humanizar. Então não é o lugar que comporte a ocupação policial contra uma manifestação de estudantes desarmados.

FOLHA - A reitoria alega que a PM foi usada para impedir a depredação do patrimônio público e o desrespeito ao direito de não grevistas…
MATOS - É preciso garantir o direito de ir e vir de todos os que participam da vida da universidade, é certo. Agora, como se chegou a esse ponto? Parece-me que os canais de contato entre os estudantes e a reitoria ou entre os funcionários e a reitoria estão muito precarizados.
Os funcionários apresentaram uma pauta de reivindicações, o que é algo obviamente legítimo.
Cabe à outra parte discuti-la.
Debatê-la. Agora, quando as instituições universitárias não debatem e, em vez disso, optam por enfrentar um protesto pacífico, de pessoas desarmadas, com o emprego de força militar, é porque têm uma sensação muito grande de perseguição. Alguma coisa muito séria está acontecendo com uma universidade que se torna incapaz de debater ideias diferentes.

FOLHA - Alunos, professores e funcionários exigem a saída da reitora…
MATOS - Do ponto de vista global da instituição, politicamente, aconteceu uma espécie de vazio de poder. Quando se usa a violência, é porque se perdeu a autoridade. A universidade não é o lugar da força ou da violência. É o lugar da autoridade…
Agora, o jogo de forças entre os vários setores da universidade é que vai definir os próximos passos. Tenho certeza de que a atitude da reitora derivou de algum aconselhamento, provavelmente de professores mais conservadores, que a pressionaram a agir dessa maneira.
Porque ela não agiria assim sem se sentir respaldada. O que tudo indica é que a reitora não tem mais condições políticas de se manter. Na medida em que ela usou a violência, pela simples recusa ao debate, ficou comprometida a sua função institucional como intelectual.
O intelectual está lá para impedir o uso das armas. Ainda assim, eu me pergunto se -de novo, e porque é mais fácil- não se estaria derrubando o tirano, em vez das causas da tirania. Você pode substituir o reitor. E depois? É por isso que existe a luta, que não é de hoje, pela democratização das instâncias que elegem o reitor.

FOLHA - A PM deve sair da USP?
MATOS - Imediatamente. A polícia estar lá é quase uma provocação… Uma sociedade é tanto mais feliz, tanto mais democrática, quanto mais ela conseguir conviver com seus contraditores. Uma sociedade que só é capaz de conversar com o mesmo não é uma sociedade.
O link, fechado para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1206200911.htm. No título desta mensagem é possível acessar o Blog do Favre (que gentilmente realizou essa reprodução).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vou-me Embora pra Pasárgada*


por Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

* Um poema célebre, lembrado por mim sempre que vou me embora de algum lugar... Não estou indo embora do blog, apesar de ser bem ausente... Mas quis compartilhar esse poema com todos...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Apaixonada...

Não... não é mais um post daqueles bem comuns que se acha a rodo na internet, dando um Google em "amor"...

Este post, ou melhor esse texto, para ser fiel ao meu pensamento anti-americanizar-a-língua-portugesa (o que creio eu não ser possível, tendo em vista as novas regras gramaticais... mas isso é um papo para um outro post, ops, texto...)

Voltando... Escrevo para expor e concretizar (se já não o fiz) aquilo que esta tão intrinseco em mim... (quanta palavra difícil...)

Minhas paixões eternas, calmantes e sufocantes por vezes...:

* Letras, palavras, frases, prosas e poesias...

A palavra escrita. A construção de um castelo em que outros possam habitar... TEm coisa mais apaixonante do que elas? Fico besta ao ler... E gosto de ler tudo... em especial quando posso ver a alma daquele que escreveu... Tem gente que chora no cinema... Eu choro quando leio... E rio, dou gargalhadas, me assusto, fico com medo... Só de ler...

Pudera eu fazer desta paixão um ofício... Ah sonho... Sonho... Desejo... Um dia eu chego lá... Juro que chego! Prometo! Mas por enquanto fico aqui, ensaiando aquilo que um dia será um ofício...

Tudo o que é escrito é deve ser lido! Porque ao escrever (plagiando um texto, cujo autor agora me é desconhecido) construímos um castelo que, quando o lê passa a habitá-lo...

Todo castelo foi feito para ser morada, para ser lar... (um dia eu alcanço vários indíviduos apaixonados para habitarem meus textos)

* Outra paixão (e aqui eu me perco mesmo): Música! Música! Música!

Confesso que estava um tanto quanto esquecida, deixada de lado pelas correrias da vida... Mas graças à Deus, o homem criou o mp3!!!! E agora eu posso me divertir e deliciar com minhas músicas... rock, erudita, etc... Aiaiai... (suspiro)
Marvin, o andróide paranóide

* A última (pq já está dando o horário de ir embora)... tecnologias... Essa é uma questão geracional, diria minha profª Graça Setton (clique e leia o blog Midia e Educação, que por estar iniciando este ano, está bem cru... deveria ter mais coisa, artigos e etc... aguardemos)... Toda a geração de 1980 pra cá adora tudo o que tem a ver com tecnologias... especialmente computador... Eu como boa criatura nascida nos anos 80 não fujo a esta regra...



Enfim...

Qual a sua paixão?