quarta-feira, 11 de julho de 2012

Dias como hoje nos faz querer mudar de mundo

O título é esse mesmo "Dias como hoje nos faz querer mudar DE mundo". Não é mudar o mundo.

O motivo desse meu desânimo: hoje foi eutanasiado, na Irlanda do Norte, Lennox. Mesmo com um abaixo-assinado de mais de 200 mil assinaturas contra tal ação. Mesmo com propostas de que o cachorro fosse levado para os EUA, com personalidades mundiais a favor dele.

Diante de tal cenário só resta o desejo mesmo de mudar de mundo.

"Estou horrorizado de ter de dizer que eu sou parte da humanidade que hoje matou um inocente cão. Lennox foi "supostamente" humanamente sacrificado esta manhã – seu corpo não será devolvido aos proprietários, não recebeu uma visita final e eles "talvez" vão enviar cinzas para eles. Essa coisa toda é uma farsa em todos os níveis, e quanto mais eu leio mais acredito que Lennox pode ter sido morto há muito tempo. Lennox, doce rapaz, você está em um lugar melhor - corra livre e olhe para nós aqui embaixo, para ver que você não se foi em vão. Vamos trabalhar incansavelmente para encontrar a verdade - para fazer justiça, derrubando a BSL [¹] e BOICOTANDO A REGIÃO[²] que o matou. Você foi amado!" (do site http://boycottbelfast.com/, minha tradução)
¹ BSL -  Breed Specific Legislation, lei que condena animais de raças potencialmente perigosas
² Irlanda do Norte


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mania de Excel

A princípio pensei em chamar esse post de "mania de organização", mas os mais íntimos me desmentiriam no primeiro momento (minha mãe então, na primeira palavra!).

Não sou organizada. E é um porre porque você tem que mentir, especialmente nas entrevistas de emprego. Você tem que fingir que é organizad@ - para na primeira semana seu chefe e toda equipe descobrir que você inventou essa qualidade em você.

Sou do tipo que tem sapatos espalhados pelo quarto (e olha que ele tem 2,5mX1,5m - um verdadeiro cubículo!).

Tenho uma bolsa e uma mochila cheia de papéis.

E vivo perdendo o celular na bolsa, dinheiro e cartão.

RG? Já tirei uns 500.

A nova onda agora é: perder a carteirinha da faculdade - e ter que pagar R$18,30 por uma nova!

E nem ouse se aventurar pelo meu hd externo. Tenho inúmeras pastas do tipo "verificar", "verificar depois", "verifique isso", "para ver depois", "organizar", "arquivos diversos", "que porra é essa?", "que porra é essa? 2"... e assim por diante.

Quem não tem/faz isso, que atire a primeira pedra.

Eu acho que quem é organizadinho deve ter vindo de Marte. Só pode. Terráqueos que eu conheço não são organizados.

Dito isso, já aviso: se você for convidado algum dia desses a visitar a minha humilde residência, já sabe o furdúncio que vai encontrar - e não ouse julgar!

Ok. Esclarecido e confessado que não sou nem um pouco organizada, devo confessar que, apesar de tudo, eu sou uma viciada em Excel. Quando eu me rendo à organização eu lanço mão dessa ferramenta maravilhosa, odiada por uns.


É mais ou menos: "Excel: ame-o ou deixe-o". E tod@ viciad@ em Excel vai te dizer que teve um momento da vida em que ele odiava aquela ferramenta, porque não entendia como a vida funcionava. Ou seja, é tudo pura discriminação, tadinho do meu Excel. Então a pessoa aqui precisa de Excel para viver. Segue alguns exemplos para ilustrar o que eu to falando:



Calendário de acompanhamento de posts aqui nesse espaço? Excel...


Calendário de estágio da faculdade? Excel, óbvio: 

Calendário de atividades do semestre (organizar o dia-a-dia)... Excel! 

Acompanhamento de trabalhos da faculdade? Hum... Excel?

Acompanhar o resumo escolar? Excel!

Excel!

Excel!  Porque eu também sou feita de números!

É isso. Se na sua empresa você precisa de algum expert em Excel, e esteja pagando bemé só me chamar!


terça-feira, 12 de junho de 2012

Paixão ou...


É assim: de repente você se dá conta dos acontecimentos recentes. Você começa a chorar, se desesperar, pensa "por que eu não vi/percebi isso antes", "como eu sou tapada!" o olhar começa a ficar perdido...

Você não se concentra mais. Nem pra futilidades, menos ainda para coisas úteis.

Se alguém fala com você, estando ou na sua frente, sua cabeça viaja pra outro canto, é como se você vivesse no mundo da lua, ou estivesse sempre em alfa.

Seus amigos, familiares e amores não te compreendem. Não entendem o seu desespero. Te cobram pela sua ausência (ou então pelo seu 'corpo presente').

Você não consegue ler uma página e entender o que leu. Quiçá escrever algo decente.

Se arrumar, cortar o cabelo, fazer a unha ou coisa do gênero... você não tem vontade!

Redes sociais? O quê? Quando? Onde? Como diria padre Quevedo "Isso non ecziste!"... quem dirá vida social, balada, barzinho...

Você também sente isso?

Amig@, bem-vind@ (ou benvind@) ao FINAL DO SEMESTRE!!!

Pra finalizar, lá do Tumblr (sim eu vejo o Tumblr, sim eu abri a conta a pouco tempo, sim eu curto e me viciei - e sei, já ta fora de moda - o que eu posso fazer se o Facebook não aceita gifs?) um USPiano quando (no caso está no último ano e vai fazer uma prova):


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Marcha das Vadias / Sexo Livre


Estava viajando pela internet quando me deparei com a volta de um blog que eu adoro, da Verônica Volúpia (o nome já diz, ele é picante)! Ele estava antes no site Bolsa de Mulher (o último post em 2009). A autora criou o seu blog em 2007 e depois de tanto tempo voltou a postar (iupiii) o blog é Verônica Volúpia.

Com o movimento da Marcha das Vadias decidi publicar um texto da Verônica aqui (se você quer saber mais sobre o movimento pode ler este texto aqui)
SEXO LIVRE
Ser mulher é uma conquista. A gente nasce mulher, mas para exercer a plenitude do gênero, ainda hoje, é preciso ter peito. Não estou falando daquele turbinado adquirido em clínicas de cirurgia plástica. Refiro-me à coragem, à ousadia, a não ter medo de reivindicar direitos que na lei são para todos, mas nas entrelinhas só beneficiam aos homens: a lei do sexo livre. Nunca ouviu falar dela? Pois é, a maioria das mulheres nem sabe que ela existe e que dela são beneficiárias. Mas é bom começar a divulgar. A lei diz mais ou menos o seguinte:
Toda mulher tem o direito de usufruto do próprio corpo. Isso significa que ela pode usar e abusar das suas curvas e orifícios seja para dar, emprestar, alugar ou vender. Só a ela compete avaliar o que é ou não um bom negócio. O que é ou não seu desejo. Quem merece ou não a sua entrega. O que vai ou não lhe dar prazer. Se quer qualidade ou quantidade ou as duas coisas, ou nenhuma, em separado ou tudo ao mesmo tempo. O corpo é dela e o juízo, ou a falta dele, também.
Toda mulher tem o direito de vestir roupas provocantes e sensuais e minimalistas para se sentir bem, ou por qualquer outro motivo, seja vaidade, carência, por moda ou questão de estilo, sem necessariamente estar “pedindo” a um homem para atacá-la, agredi-la, violentá-la, violá-la, estuprá-la, chamem como quiser. Para pedir temos a boca. Falar também é um direito da mulher.
Toda mulher que é também mãe tem o direito de não gostar de dupla jornada, de chegar em casa cansada e colocar os pés pra cima, tomar um banho, relaxar. Se der sorte, tem direito também a uma massagem. E beijo na boca, no pescoço e o que mais a criatividade do outro aflorar e ela permitir. Toda mãe tem o direito de presentear a filha com um carrinho e o filho com uma boneca sem ter que ouvir comentários desestimulantes ou piadinhas maliciosas. Meninos não viram pais? Meninas não dirigem? A igualdade dos sexos virá através de uma educação igualitária. E toda a mãe tem o direito de tirar férias de suas crias sem culpa. Para simplesmente ser mulher.

Toda esposa tem o direito de não estar a fim de transar com o marido, assim como, ao contrário, tem o direito de sugerir, fantasiar, realizar os próprios fetiches. Toda mulher tem direito de não gostar de cozinhar, passar, lavar, ou de amar fazer tudo isso, mas só fazer quando achar que vale a pena para si ou para terceiros. De administrar a energia que sobra do seu dia e canalizá-la para o seu apetite sexual, se essa for a sua vontade. Se isso incluir o parceiro ou parceira, bom para os dois. Caso contrário, o prazer solitário é mais que um direito: é amor-próprio.
Toda mulher tem o direito de escolher uma rotina sexual remunerada, como profissão, ou não remunerada, como opção de vida – uma espécie de trabalho voluntário. Toda mulher tem direito a dar mais que chuchu na serra, seja em sonhos ou no mundo real, seja casada ou solteira, viúva, desquitada, para a mesma pessoa ou para várias, para o marido, o namorado, o amigo, para um conhecido ou um desconhecido, para um cliente, para o mesmo sexo ou diferente cor, conforme os compromissos que assumiu consigo mesma, com algum cartório, com sua consciência e seu travesseiro.
Toda mulher tem direito a ter opinião própria e não ser induzida a agir e pensar mecanicamente. A se vestir mecanicamente. A se comportar feito um robô. Tem o direito de ser o que é e não o que querem que ela seja. Gorda, magra, loira, morena, baixa, alta, negra ou branca, tem o direito de fugir de estereótipos e de dar e receber prazer sexualmente independente de padrões pré-concebidos. Toda mulher tem o direito de amar. E de se amar.
Toda mulher tem o direito de contar com a solidariedade das outras mulheres. Na prática não é muito o que acontece, infelizmente. Se nós, mulheres, soubéssemos calar em vez de caluniar, entender em vez de condenar, aceitar as diferenças em vez de repeli-las, a nos enxergarmos como aliadas em vez de concorrentes, se fôssemos mais unidas, talvez o mundo tivesse menos espaço para as desigualdades entre os sexos e não precisássemos sair queimando sutiãs em praça pública para nos fazer notar. Não podemos andar sem camisa no verão, mas um dia a gente chega lá.
Sexo não é só o que se faz. Sexo é o que se é. E o que a gente conquista. Eu, Verônica Volúpia, pratico o sexo livre. E você?

Digo com o Gil Piauilino "Se ser livre é ser vadia, somos todas Vadias!"

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Namore uma garota que lê!

Tem um blog que eu sou leitora assídua, geralmente não comento nada, até porque comentar "own", <3 e etc a gente faz via facebook (eu penso). E só comento quando tenho algo de interessante pra falar (ok, na realidade eu sou antissocial mesmo)...

Enfim, o blog que eu sou tão assídua é da Noemyr Gonçalvez e se chama Costurando Estrelas. A proposta dela é fazer composições (trechos de livros ou citações + imagens) além de resenhas... Eu adoro! Ela mandou o trecho abaixo e... não tem como não se identificar e se apaixonar...

Elizabeth Bennet (Keira Knightley, em Pride and Prejudice, 2005)
"Namore uma garota que lê
Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criado pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.
Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, E. E. Cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade, mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve."

(Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico)