quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Show de lançamento CD Projeto Guri Convida


Final de ano... Eventos e mais eventos...

Segue convite para o show Projeto Guri convida, uma proposta bem bacana do Projeto Guri onde nós convidamos alguns artistas para gravação do CD, ao lado das crianças do Projeto!!

O show será no Ibirapuera, dia 13 e custa apenas R$ 30,00 - esse dinheiro será revertido para o Fundo de Bolsas do Projeto Guri (mais um projeto, onde os ex-alunos são contemplados com bolsa para prosseguir com os estudos na música!)

Enfim, eu estarei lá e espero todos vocês!!!!


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

III Seminário da AAPG - gestão de Qualidade em Projetos Socioculturais

Queridos, estou a frente da organização do Seminário abaixo.

Ele acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de novembro. A taxa de inscrição será R$ 70,00.

Divulguem, inscrevam-se!!!

Beijos
Paulinha



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Simplesmente fantástico!!!

Assunto: Prova de Química - Exercício da Lógica !!!

PROVA DE QUíMICA- EXERCíCIO DA LÓGICA - Engenharia Química

Pergunta feita por Professor(a) da matéria Termodinâmica, no curso de engenharia química em sua prova final. Esse Professor é conhecido por fazer perguntas do tipo "Por que os aviões voam?" em suas provas finais. Sua única questão, nessa prova, foi: "O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta."


Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma.

Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

"Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora postulamos que as almas existem, assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume.

Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que,uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.

Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus você vai para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno. A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos.

Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno.

A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções:

1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até explodir; ele portanto é EXOTÉRMICO.

2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.

Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da universidade me disse, no primeiro ano: "Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar", e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico."

O aluno tirou 10 na prova.

CONCLUSÕES:

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original." Albert Einstein

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Não vou me adaptar

Arnaldo Antunes e Nando Reis

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia,
E quem eu queria bem me esquecia.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.

Eu não tenho mais a cara que eu tinha,
No espelho essa cara náo é minha.
Mas é que quando eu me toquei, achei tão estranho,
A minha barba estava desse tamanho.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar.
Me adaptar
Não vou me adaptar
Me adaptar

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Carta do Trema ao U


Hoje, na minha busca por algum local que venda o livro Music, Mind and Education by Prof Keith Swanwick, de preferência em bom (e claro) português... encontrei esse textinho-carta abaixo... Com a finalidade de descontrair esse ambiente, que está um tanto quanto pesado devido à greve (ou guerra?) na USP, segue ele abaixo...

E enquanto issso, eu retorno à minha busca incessante... Boa leitura!

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Fonte: tremanalinguica.wordpress.com
Querido U - Reginaldo Pujol Filho

Até que enfim consigo te escrever, meu amigo. Demorou porque optei pelo recurso da tradicional e antiqüíssima carta.

Não estava disposto a enfrentar a censura dos corretores ortográficos dos e-mails. Queria sentir mais uma vez o gostinho de me expressar em bom português. Pois aqui estou. E creio que o primeiro a ser dito, daqui da Alemanha, é sobre a vergonha que sinto quando penso no passado.

Calma, amigo U. Passado recente. Não os mais de cinqüenta anos vividos no Brasil. Não seria inconseqüente assim. Refiro-me ao tanto que tremia ao pensar no meu futuro pós-ditadutra. Lembras de como eu mirava com obliqüidade para o amanhã? Lembras, eu dizia que, depois da ditadura ortográfica, só me restaria me associar ao Ponto-final e tentar vaga de reticência.

Cogitei também me virar, tentar ser dois-pontos ou até, no auge da intranqüilidade, emoticon! Vergonhoso. Mas vocês me apoiaram, argüiram que o horizonte era bem melhor. Recordo-me, lá na festa de despedida organizada por ti, U. Todos me incentivando.

O Til, naquele humor típico de tiozão, a dizer "Mas os caras amam lingüiça, lá tu vai cair no gosto deles!" E não é que estavam mesmo todos certos? Tranqüilize todos! Até mesmo a boa e velha Exclamação, por favor, tranqüilize-a. Conte aí que, desde que desci sobre Düsseldorf, meu camarada, me sinto recebido de dicionários, ou melhor, wörterbuch abertos.

Nenhum problema com imigração, xenofobia, preconceito, o que for. Os alemães me a-do-ram. Sinto na atmosphäre do país que todos me querem. Fazem questão da minha presença. Não há fräulein que saia de casa sem mim. Tem apfelstrüdel pra lá, küchen pra cá, chopp e prösit a toda hora, só vendo, U. Claro, não vou negar o passado.

Minha insistência em permanecer no Brasil, apesar dos medos e inseguranças que a população tinha ao meu respeito. Sim, amava viver por aí. Mas me comove ver aqui crianças que me adotam desde pequeninas. Sabe quando você vê uma criancinha brincando com um cachorro grandão, de botar medo em muito barbado? Esse são os alemãezinhos, U!

Mal aprendem a escrever, já me botam nos cadernos. Aqui não sou bicho papão. Confesso até às vezes estranhar essa minha ubiqüidade! Esse estar por todos os lados. Nunca trabalhei tanto na vida, nunca fui tão lembrado, rapaz. Os alemães não se dirigem a um outro europäer sem me levar junto.

Estou muito fröhlich – que, se você não sabe, é como eles falam alegre. Isso é que é primeiro mundo, meu velho. Tenho pensado até em escrever para a Crase e o Ponto-e-vírgula. Sei dos seus medos de serem exilados como eu em uma nova "reforma" aí no Brasil. Pois não esperem, venham logo tentar a vida por esses lados na Europa (dizem que a França tem muito mercado para a Crase, sabia?).

Escreverei com certeza.

Não mentirei nem a eles, nem a você, meu amigo, que a saudade, em certas horas, bate forte. Mas aí lembro do tratamento digno de um eqüino que me dispensaram aí, reparo na recepção dispensada a mim por aqui, e eis que digo: estou e sou feliz. Precisa ver o suporte que me deram. Diversas letras me levando nas costas para cima e para baixo, como só tu fazias por mim. Tratamento top. Ou melhor, über!

Veja nas fotos, já me levaram para München, Lübeck, Münster e tantos outros lugares. Até para Dänemark já me carregaram. Te mete! Para quem não tinha acesso a uma capital do Brasil, hein? Me sinto quase uma autorität por essas terras. Mas, por favor, não pense que me esqueço de tudo o que vivemos. Nunca cometeria esta iniqüidade!

Como esquecer da despedida que vocês prepararam? Que festa! A e Agá juntos botando som? Depois o I mais o E, mais o Agudo. Aí foi a vez do Ó junto com o Agá! Que belos DJs! Até tu, junto com o incansável Agá, botaste a turma a fazer Uhu! Inesquecível, amigo. Teve até aquele momento em que os irmãos Parênteses pediram uma pausa para o discurso ensaiado com o Travessão! Se não estivesse apoiado em ti, juro que eu teria caído antes da hora.

Saudade, se houvesse em alemão, certamente eu ajudaria a escrever.

E até por isso comemoro tanta agitação, tanto convite nos lados de cá. Assim fico ativo, me sinto vivo, não fico a recordar e toco o barco, vou em frente por que atrás vem gente. Por falar nisso, muita gente. Inclusive, tenho que me despedir para ir até a universität (sim, amigo, aqui a academia faz questão da minha presença).

Aguardo notícias tuas.

E avise aí. O Trema não caiu!

Auf wiedersehen

Saudade, küssen e abraços do seu, acima de tudo, amigo.


Trema






Greve na USP...

Carta da professora Graça aos alunos do curso

Caros alunos

Escrevo essa breve carta no sentido de manifestar minha posição a respeito dos últimos acontecimentos no interior do movimento de greve na USP.

Considero importante assinalar que ainda que haja reivindicações e pautas distintas entre os três setores ativos da universidade – alunos, funcionários e professores – é necessário apontar um aspecto que agora une todos nós. Trata-se da urgência da retomada das discussões a partir do entendimento sério, democrático e respeitoso do diálogo.

Neste sentido, a permanência das forças policiais no campus da USP deve ser repudiada, pois greve não é caso de polícia nem baderna. É um direito de todos enquanto trabalhadores e cidadãos. Sabemos que outros mecanismos e estratégias de negociação baseados nos direitos e deveres entre os interessados devem ser usados. Uma negociação com uma arma em nossa mira não seria democrático.

Vários relatos confirmam que muitos de nossos conhecidos foram agredidos, mesmo que um grupo de professores, alunos e funcionários tenha se esforçado no sentido de pedir calma e menos truculência aos policiais no dia 09 de junho.

São lamentáveis estes episódios em que a força e o poder das idéias trabalham contra o esclarecimento e alimentem o desconhecimento de um trabalho ardiloso de por fim ao direito de negociação. Os tempos estão mudando e nem no interior da universidade estamos conseguindo abrir espaço para discussão. Seria o fim da universidade pública, autônoma e de excelência acadêmica? Creio, com pesar, que mais do que uma pergunta de retórica esta pode ser uma hipótese que vem se confirmando com um conjunto de projetos e decisões tomadas por apenas um grupo reduzido de dirigentes que interferem na nossa prática docente e discente. Por exemplo, a carreira docente e a UNIVESP para a profissionalização de professores para a educação básica.

Vemos, simultaneamente, um desgaste, uma descrença nos movimentos coletivos, um grande desconhecimento dos motivos da insatisfação entre nós, informações desencontradas e toda sorte de problemas ao se construir um espaço democrático.

Posto isto, na tentativa de colaborar com o diálogo bem como uma alternativa a mais de circulação de idéias, proponho fazer deste espaço – nosso blog - um veículo de trocas de notícias sobre os acontecimentos, a fim de estabelecer debates entre nós e a comunidade fora da USP.

Não abdiquemos de explicar aos nossos familiares os motivos que nos levam a esta paralisação. Mandem e-mails contanto fatos ou enviando fotos que estimulem a franca posição para a negociação.

Bom, trabalho para todos.

Graça (Profª Dra. Maria da Graça Jacintho Setton)

15 de junho de 2009

terça-feira, 16 de junho de 2009

USP em guerra (fotos)














Algumas fotos, por enquanto sem comentários...

Em conseqüência ao pedido da REItora: Brutalidade da PM


Terça-feira, 9 de junho de 2009

Em protesto contra a presença da PM na universidade, estudantes e funcionários realizam ato junto ao Portão 1 da USP. Pacífica, a manifestação intenta ocupar o cruzamento da rua Alvarenga, mas a polícia já havia interditado o trânsito. À massa que grita contra a polícia, o tenente-coronel Claudio Miguel Marques Longo responde ordenando que não atravesse o cordão de isolamento. A passeata não pára e, com o dedo em riste, o comandante da operação brada aos policiais que se preparem para reprimir. A passeata avança pelo cruzamento e, chegando ao encontro da tropa, atira flores em sua direção. Seguiu-se mais de uma hora de tentativa diálogo com o comandante Longo, que silenciou sobre o fato de muitos dos PMs não estarem devidamente identificados. Com granadas de borracha nas mãos (as chamadas bombas de efeito "moral"), os policiais acompanharam todo o ato, que transcorreu sem incidentes. Quando o carro de som e os manifestantes retornavam para o campus, ainda entoando palavras de ordem, é que a Força Tática foi chamada ao ataque. E atacou. Por mais de uma hora, estudantes, professores e funcionários foram perseguidos no interior do campus. Leia a seguir os depoimentos de quem sofreu as conseqüências da violência policial no campus. 

Uma bomba lançada contra os manifestantes feriu Jonas Alves, um dos diretores do DCE. "Enquanto íamos em direção à reitoria para realização de Assembléia, fomos brutalmente atacados pela polícia. Um fragmento de bomba me machucou, me deixou surdo e zonzo, ferindo gravemente minha coxa e minha panturrilha. Fui carregado até um carro e levado ao hospital, onde me fizeram um curativo. Terei reflexos dessa agressão física, moral e sem sentido, por pelo menos mais um mês de tratamento." Diante do Paço das Artes, a polícia cercou o carro de som que acompanhava o ato desde o início. Kraly de Castella Machado, também diretora do DCE, estava no caminhão: "Tiraram o motorista e arrancaram o microfone. Deixaram a gente encurralado em cima do carro, com muito spray de pimenta e gás". 

Do outro lado da rua, estudantes, funcionários e professores que se encontravam no interior da FE ouviram as bombas. Ana Paula Santiago do Nascimento, mestranda, conta que saíram no corredor, para ver o que estava acontecendo. "Nisso, chegou uma aluna correndo, dizendo que estavam jogando bombas. Fomos até o estacionamento. O Choque estava enfileirado em frente à entrada do estacionamento e continuaram jogando bombas, na nossa direção. Ouvimos os gritos e tinha uma moça chorando do nosso lado, porque uma amiga dela tinha sido ferida. Então telefonei para a Lisete [Arelaro], que estava na Assembléia da Adusp, no prédio da História, para que avisasse os professores do que estava acontecendo." 

"A polícia militar estava prendendo um companheiro do comando de greve [Celso Luciano Alves da Silva, funcionário do IEB] e fui tentar interceder", diz Claudionor Brandão, um dos diretores do Sintusp. "Fui agredido, com várias palavras de baixo calão, cutucões no peito com cassetete e empurrões." Ainda que tenha tentado dialogar com o comandante Longo, foi algemado e conduzido à 93ª DP, junto a outros dois manifestantes. Eles foram liberados na mesma noite. "Foi lavrado um termo circunstanciado, em que a PM informou uma versão totalmente deturpada dos fatos, com acusações de depredação do patrimônio, desobediência e desacato. Eu expliquei nossa versão. Agora o processo vai para um juizado especial, e nós temos que esperar os desdobramentos."

Informados sobre a repressão, os professores interromperam a Assembléia da Adusp, no prédio da História e Geografia, pouco antes de o edifício também se tornar alvo das bombas. Pablo Ortellado, professor da EACH, estava lá: "Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás. Lembro da professora Graziela [Perosa] , do professor Thomás [Augusto Santoro Haddad] , do professor Alessandro Soares, do professor [Osvaldo] Coggiola, do professor Jorge Machado e da professora Lisete [Arelaro] todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio".

Adma Fadul Muhana, professora da FFLCH, também participava da Assembléia. "Quando olhamos para baixo, em direção à reitoria, vimos o batalhão de choque lançando as bombas. Era assustador. A Tropa de Choque vinha correndo e os estudantes só fugiam, só fugiam. Ouvi várias vozes: 'não provoca', 'corre', 'cuidado, professora'. Não vi ninguém incitando a violência, era o contrário. Fomos para o vão do prédio e eles continuavam avançando; só a avenida Luciano Gualberto nos separava da polícia. Ouvíamos o barulho dos helicópteros e das sirenes, ficamos lá até sentir que não iam invadir o prédio e as coisas se acalmaram. Os estudantes, então, deliberaram por realizar uma Assembléia no meio da rua, como uma barreira para que a polícia não subisse."

Declaração da assembléia da Adusp* de 10/6/09



A Universidade de São Paulo tem desrespeitado, há anos, no seu cotidiano e nas suas instâncias de decisão, o Artigo 206 da Constituição Federal que define o princípio da gestão democrática do ensino público. O desrespeito fica evidenciado pela ausência de diálogo sempre que deliberações de Conselhos de Departamentos, Congregações e do Conselho Universitário acontecem sem a devida participação de alunos, docentes e funcionários. Nos últimos meses testemunhamos algumas dessas deliberações que, no lugar do diálogo, impõem de maneira autoritária suas decisões, gerando conflitos e desgastes desnecessários entre as partes envolvidas: demissão política de um dirigente sindical, o ingresso da USP na Univesp, a reforma estatutária da carreira, as mudanças no exame vestibular, entre outras. As três últimas, aliás, foram tomadas sem razões acadêmicas que as sustentem.

Na crise atual vivenciada pela USP, originada pela negociação de data-base, como vem acontecendo nas negociações dos últimos anos, a ausência de diálogo exacerbada pela ruptura por parte do Cruesp da continuidade da negociação, culminou com a solicitação, por parte da reitoria da USP, da presença da Polícia Militar, provocando a violenta repressão que vivenciamos na tarde de ontem no campus Butantã da USP.

Em função dessa sucessão de acontecimentos:

"Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir: 

  • a renúncia imediata da professora Suely Vilela como REItora da Universidade de São Paulo;
  • a retirada imediata da Polícia Militar do campus;
  • que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes;
  • que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático. 

São Paulo, 10 de junho de 2.009. 
Adusp-S.Sind.
Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo 

segunda-feira, 15 de junho de 2009

USP em guerra??? (parte 5)

cápsula bomba de gás estourada no estacionamento da FFLCH

Mega-longo, mas interessante (e verdadeiro!) - Grifos meus...

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Só existem piquetes porque há um exagero de desrespeito de certos indivíduos  por seus órgãos de representação

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"A conduta e a atitude democrática não fluem de qualquer instinto, mas são frutos de uma aprendizagem difícil e, até mesmo, antinatural porque A DEMOCRACIA, QUASE SEMPRE, É CONSTRUÍDA PELO FREAMENTO DE INTERESSES EGOÍSTAS DE INDIVÍDUOS E GRUPOS.José Mário Pires Azanha.

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Cerca de 97 mil pessoas em mais de um 1.500.000m2 de área edificada: isto dá uma ideia simplificada da USP. Seriam 97 mil verdades, se cada um mantivesse apenas uma. Para agrupar e canalizar tantos pontos de vista e tantas opiniões, e para que cada membro não tente fazer estritamente o que lhe pareça, foram criadas e são mantidas as associações, os órgãos de representação, de funcionários, graduandos, pós-graduandos, docentes.

Algumas pessoas dedicam muito esforço à implementação e aperfeiçoamento da democracia interna da Universidade. Outras, apenas acatam, ainda que duvidem em maior ou menor grau da eficácia e da racionalidade dos órgãos de representação e suas deliberações. Há também quem questione a legitimidade destes órgãos, em vista do número reduzido de pessoas que participam ativamente deles.  E há hoje um número excessivo de membros da comunidade acadêmica que ignoram deliberadamente, afrontam e boicotam sistematicamente as decisões coletivas.

Quando um indivíduo decide isoladamente desacatar e impedir que as decisões coletivas sejam devidamente concretizadas, mais que inviabilizar a atuação de uma dada instituição, está inviabilizando a própria democracia. Está sobrepondo sua opinião particular sobre os argumentos que foram refletidos, elaborados, enunciados, debatidos, selecionados, priorizados, votados ou consensuados nos espaços criados especificamente para isto.

Muitas das pessoas que defendem ideias nos órgãos criados para representá-las, fazem isto em nome do bem comum, e inúmeras vezes defendendo ideias e vantagens abstratas como "autonomia" universitária e "qualidade" de ensino para todos. Conseguem com sua mobilização benéficos públicos que não excluem os que não participaram da sua consecução, e raramente vantagens estritamente pessoais, alem da sensação de dever cumprido. Fazem isto às custas de horas que seriam dedicadas a realizações que rendem frutos individuais tangíveis socialmente reconhecíveis. E muitas das pessoas que desrespeitam os órgãos criados para representá-las, expressam não terem tempo para comparecer quando são convocados para as assembleias da sua categoria. E depois criticam o órgão e as decisões por serem poucos os que deliberam efetivamente. Uma pessoa que pertença a um coletivo complexo como a USP, quando decide se omitir de todas as oportunidades de participação, deixando sempre a cargo dos demais todas as tarefas referentes ao interesse coletivo, se acomoda, e nas atuais circunstancias, age de forma irresponsável

Mas quando essa pessoa insiste em ocupar-se exclusivamente de assuntos de caráter particular e nunca reserva o tempo necessário para dar sua contribuição para o diálogo e a democracia interna, se ademais de não comparecer, este indivíduo boicotar, desqualificar e tentar deslegitimizar a decisão coletiva, ele deixa de ser apenas um peso para os demais e um oportunista, e passa a ser nocivo para o interesse do todo, e para a preservação do principio da democracia e seus mecanismos, e é preciso que as instituições tomem medidas para que este tipo de comportamento não comprometa o interesse da USP como um todo.

Os canais de dialogo são criações humanas, e, portanto são imperfeitos. 
Assim como as pessoas que atuam nos órgãos de representação. Alguns professores e alunos que merecem todo o meu respeito informam que ha grupos de interesse que perturbam a democracia interna em diferentes órgãos, usando expedientes antiéticos para manipular informações, assembleias e resultados. Pessoalmente nunca identifiquei isto, o que eu vejo repetidamente, são sempre os mesmos lutando pela universidade e por verbas para educação publica, tentando proteger seus salários contra a permanente ameaça de arrocho, e defendendo interesses óbvios, mas legítimos, ainda que corporativos. E também pessoas como eu, sem maiores ambições, que querem apenas não se omitir, estar mais do lado das soluções que ser parte dos problemas.

Conheço pessoalmente vários professores mobilizados, que "perdem" seu tempo engrossando a massa de manifestantes que defendem de várias formas o bem comum. São professores que, por exemplo, comparecem periodicamente na Alesp quando se vota o orçamento do estado de SP, para defender verbas e condições no ensino público. Professores que se expõem às críticas de informados e desinformados, ficando lado a lado com os que nunca são homenageados senão com os adjetivos de "baderneiros" "miltontos", "neo-vermelhos" etc. São os mesmos professores que permanentemente cuidam para que nas aulas e pesquisas na Faculdade de Educação o foco nunca se distancie da realidade nacional, das necessidades presentes do ensino público, das escolas de gente pobre. Não apenas se mobilizam politicamente, mas têm trabalhos diretos em comunidades exploradas, por exemplo, em Diadema ou na Zona Leste, ou com crianças e adolescentes em situação de rua. Mencionando três nomes apenas aqui, estou sendo injusta com todos os outros, cujas atuações concretas pelo ensino público eu não me recordo. Cito apenas os primeiros que me vêm à mente, professores a favor da greve, e contra a presença da PM e pela renuncia de quem criou as condições para que a PM entrasse. São mestres que mais que transmitir informações, ensinam realmente, inspiram, nos formam para toda a vida:
  • Profa Dra Lisete Arelaro, 
  • Prof Dr. Marcos Ferreira, 
  • Prof Dr. Elie Ghanem
Nunca vi evidencia de conspiração, mas, pode ser, não duvido das pessoas que relatam sobre isto, pelo contrário, são pessoas pelas quais tenho enorme estima pessoal, que eu conheço ha muitíssimos anos, e merecem todo meu respeito. Se for verdade, então as pessoas que viram, têm o dever moral de divulgar isto, de se articularem para impedir que o grupo dominador se apodere dos espaços de decisão da USP. Não podem dar as costas e criticar a greve abandonando as instituições e suas 
deliberações nas mãos de pessoas especializadas em manobras. Isto inviabiliza o bom funcionamento da USP, agrava os problemas. Não podemos compactuar com professores que, ao invés de se mobilizarem por uma saudável democracia interna, ao verem os espaços de representação serem usurpados, dizem - candidamente - que têm coisas melhores para fazer, "papers", pesquisas, consultorias, etc.

A educação pública de nível superior precisa ser defendida, para que mais este direito não seja cada vez mais apenas uma mercadoria, à qual cada vez menos pessoas têm acesso, como já acontece com a educação de qualidade nos níveis elementar e médio, a saúde, a segurança pública, o transporte, etc.

E isto exige que a comunidade USP como um todo participe ativamente, em caráter permanente e não apenas a cada ataque sofrido, como o decreto de Serra que atentava contra a autonomia em 2007, que foi derrubado a tempo, ou a Univesp, ou a PM.  As greves até apagam certos incêndios, mas não vencem os incendiários. Os paulistas de mais de 30 anos viram como foram sucateadas nossas escolas estaduais, antes consideradas de qualidade, por não terem sido devidamente defendidas.
Uma agenda que não prevê participação nos espaços de decisão coletiva e ou discordar de membros dos órgãos de representação não justificam esperarmos sentados até que a serra elétrica do neoliberalismo acabe com as universidades estaduais também.

E um penúltimo detalhe: para o bem da USP e do ensino publico, e em nome da coerência, seria mais racional e efetivo, que boicotar e criticar por trás, de longe, fora do alcance de qualquer compromisso, as decisões da ADUSP, do SINTUSP e do DCE, se articular com os que discordam, já que supostamente, são maioria, e agir. Começando por renunciar aos aumentos de salários e outros benefícios decorrentes das atividades de "greveiros" "piqueteiros" "radicais" "baderneiros". E doar proveitos já auferidos para uma causa eleita coletivamente. O último detalhe é: na minha opinião, se os professores em geral e funcionários em massa participassem e defendessem as causas comuns, permanentemente, em vez de ficar cuidando estritamente de agendas visando o particular, não haveria necessidade de tanta greve e tanto barulho, muito menos deste tipo de piquete radical, que só aparece na mídia se conseguirem fazer vir à tropa de choque. É porque muitos desacatam, afrontam o coletivo, boicotam, ridicularizam, desqualificam, e poucos se interessam por causas (certas ou erradas) comuns, que estes poucos não têm opção senão "botar pra quebrar", porque se se limitarem aos espaços que não incomodam ninguém... Aí que o ensino vira mercadoria e os salários viram poeira.
Lolita Sala

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"Um Estado que se declare exaurido para a provisão de recursos para o ensino gratuito abdica de sua condição de Estado democrático. A educação para um certo padrão de convivência social e de participação política é tarefa essencial na construção da sociedade democrática. Onde encontrar recursos para a execução dessa tarefa é problema de estadistas e não de técnicos em orçamento.

A conduta e a atitude democrática não fluem de qualquer instinto, mas são frutos de uma aprendizagem difícil e, até mesmo, antinatural porque A DEMOCRACIA, QUASE SEMPRE, É CONSTRUÍDA PELO FREAMENTO DE INTERESSES EGOÍSTAS DE INDIVÍDUOS E GRUPOS. Se quisermos construir uma sociedade democrática, o Estado deve ser a instituição educadora por excelência no nível básico e de maneira alguma ser ausente do ensino superior.” José Mário Pires Azanha.

sábado, 13 de junho de 2009

USP em guerra??? (parte 4)


Prezados colegas,
 
Eu nunca utilizei essa lista para outro propósito que não informes sobre o que acontece no Co (transmitindo as pautas antes da reunião e depois enviando relatos). Essa lista esteve desativada desde a última reunião do Co porque o servidor na qual ela estava instalada teve problemas e, com a greve, não podia ser reparado. Dada a urgência dos atuais acontecimentos, consegui resgatar os emails e criar uma lista emergencial em outro servidor. O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba). Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso..

Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação.

Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de "efeito moral" porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.

Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.

A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira), autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário. Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais.

Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.

Cordialmente,
Prof. Dr. Pablo Ortellado
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo

USP em guerra??? (parte 3)

Palavras do professor da filosofia Vladimir Safatle, nas quais mostra que a lucidez intelectual não se resume em textos e objetos de estudo:

Caros colegas,

Abstive-me de participar de nossa lista porque sei que nossas diferencas são muito grandes e inconciliaveis. No entanto, o que aconteceu hoje é algo que deve nos mostrar claramente o que significa chamar a policia para dentro do campus. Muitos falam da PM como se tratasse de uma "policia inglesa" capaz de saber atuar com o minimo de adequacão em situacões de conflito social e manifestacão. Como foi demonstrado mais uma vez, nossa policia não tem a minima condicão de garantir a seguranca de ninguém. Enquanto Policia Militar, ela é formada para agir como militares em confronto com inimigos em situacões de seguranca externa. Ela entra no campus como entra nas favelas, ou seja, seguindo o lema "atirar primeiro, pensar depois".

Suas práticas são mundialmente conhecidas e desprezadas. Ela é exemplo mundial de policia despreparada, corrupta e que mata gratuitamente. Mais de uma vez ela mostrou que sua atuacão gera catástrofes, isto ao invés de impedí-las. Gostaria de insistir que nossos alunos correm risco real de vida e isto está acima de nossas diferencas. Temos a obrigacão moral de deixarmos nossas divergências de lado e fazermos de tudo para retirar a polícia do campus de uma vez por todas, com a promessa de que ela nunca mais será chamada, aconteca o que acontecer.

Não haverá análise ou explicacão que justificará um corpo de aluno morto e creio que hoje vimos que tal possibilidade não é uma ilusão criada para dramatizar conflitos sociais. Não é possível que não conseguimos sequer fazer um abaixo-assinado insistindo na necessidade de retirada imediata da PM.

Vladimir Safatle

USP em guerra??? (parte 2)



Texto de Julia Hansen sobre o lamentável episódio de 9/6 (anexo e-mail do professor Vladimir Safatle)

Sent: Friday, June 12, 2009 10:16 AM

Caros,

uns dias atrás encaminhei para alguns de vocês o relato de um professor contando a violência policial na situação de greve da Universidade de São Paulo. Se escrevo novamente é porque agora eu quero falar e também por ter visto imagens do Centro de Mídia Independente que são importantes de compartilhar: 


e


A diferença dessas imagens com as da televisão/ jornais é que os jornalistas oficiais mostram a superprodução pras massas, quero dizer, mostraram mais o montante de homens e, sobretudo, de automóveis da PM do que os atos individuais. Sem dúvida, numa cidade como São Paulo, faz sentido que os carros sejam o que nos acostumamos o olhar a ver e não os rapazes embaixo dos escudos da polícia. 

Pessoas têm me encaminhando discussões dos fóruns dos professores e dos estudantes. Não vi o que os funcionários têm discutido. Sabem, eu estudei 15 dos meus 25 anos na USP. Meus pais, ambos, são professores dessa Universidade. Eu estava na greve de 2002, quando nós, os estudantes da FFLCH, paramos as aulas para pedir por professores e conseguimos uma centena deles depois de 4 meses paralisados. Foram momentos de uma força comovente e confesso que, depois dessa, nenhuma outra greve me interessou muito. Isso porque me parece mesmo que devemos pensar formas de manifestação mais contemporâneas, mas, o que está acontencendo na USP nesse momento é grave e precisa ser colocado em discussão. 

O que vou reparando, é que existe dentro da Universidade e fora dela um discurso crescente nos últimos anos de que a greve/ as manifestações de insatisfação social são atos de violência contra a democracia do país. Brasil este que, como se sabe no mundo inteiro, tem nas suas estruturas de poder formas extremamente democráticas e igualitárias que devem ser mantidas. Ordem e progresso. 

Sobretudo: como se sabe, todos nós temos um nome. De registro social, também. Então, o que dizer quando a Polícia Militar, chamada para conter os estudantes, funcionários e professores da Universidade pública que se diz a maior do país, retiram da farda seus nomes e identificações?, e na imprensa nada se diz? 

Vejam, está nas fotos, os PMs estavam sem identificação:


De tudo, isso é o que me deixa mais indignada. Por quê? Porque reitera a impunidade no Brasil. Impunidade essa que me parece que é o que conhecemos. Mais, quando a PM retira seus nomes comete um crime contra todos os cidadãos. Afinal, fardados e sem nome, são todos um corpo institucional só contra os indivíduos. E a violência, portanto, é um riso na cara de todos, riso esse que ri até de quem não quer ouvir falar nele. 

Os professores que andavam dizendo que têm o direito de dar aula mesmo com a ADUSP (associação dos docentes da USP) ou o SINTUSP (sindicato dos funcionários da USP) determinando em assembléia a greve, estavam colocando questões de representabilidade dentro da Universidade. Questões como essas têm crescido nos últimos anos e indicam, além da necessidade de uma re-invenção das manifestações, também uma cisão da insatisfação coletiva. Não vou nem entrar no fato de que a USP a cada ano que passa, principalmente nas áreas de humanidades e artes (que como sabem, não movimentam as finanças) vai sendo transformada numa sucata maior e de que em terra de cego quem tem um olho é rei. Acho que esses professores que questionavam as greves, tinham alguma razão, medo e conforto, mas agora, depois do estado de violência policial (lembrem-se, a PM ainda está na Universidade) que aconteceu nessa terça-feira, continuar com um discurso do 'deixa-disso' é se posicionar ao lado da violência.

Sobretudo porque precisamos lembrar que os discursos que fazemos e aceitamos acabam por justificar e conceber as ações, não só no momento presente como nas bases desse Brasil tão brasileiro e tão democrático. O país, como se sabe, do futuro. O bom mocismo do discurso politicamente correto contemporâneo acaba por amenizar todas as formas de violência (pra não falar na corrupção institucionalizada) e colaborar para o esquecimento. Pensar que as coisas devem continuar como estão, afinal, a ditadura já passou e somos um país de potência econômica, é estupidificar todos os futuros. 

Ontem a assessoria de imprensa da reitora lançou um informe oficial:
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/06/11/ult105u8216.jhtm, no qual afirma, entrementes, que os movimentos de greve são causados por uma parcela da Universidade que é violenta e etc e etc. Pois é, a instituição suga o discurso que lhe parece mais apropriado no momento. É importante, portanto, que outros discursos se façam.

Outro que deu suas opiniões brilhantes nesses últimos dias foi o Datena, para o qual a alcunha de telejornalista não cabe, e enquanto a polícia descia o cassetete na cabeça dos manifestantes, o Datena dizia com as imagens do seu helicóptero que os estudantes 'playboys' se não estavam interessados em fazer o que devem fazer (isto é, estudar) deviam largar as vagas para aqueles "pobres" que precisam delas e as aproveitariam pra conseguir algo da vida. Mais uma vez nesse país, a pobreza é um instrumento para justificar a própria pobreza. E, um discurso como esse é contra todas as instituições públicas. É a mesma coisa que dizer prum paciente que está perdendo o sangue por estar há três horas na fila de espera de um hospital de que se ele não está satisfeito em esperar para perder a perna é melhor ir procurar outro atendimento médico e dar o seu lugar no corredor para alguém que o faça por bem merecer.

Acho que é isso. Obrigada pela atenção, se quiserem, repassem.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

USP em guerra????

USP: Reitora não tem mais condições de continuar, diz Olgária Matos
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHA SP

A filósofa Olgária Matos é professora titular daquela que é considerada a faculdade vermelha da USP, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Aposentou-se em 2003, mas acompanha atentamente a vida da instituição, na qual ingressou como estudante no ano anterior à promulgação do AI-5, em plena ditadura militar.
Considera que "a reitora não tem mais condições políticas de se manter no cargo", mas teme que, de novo, "se derrube o tirano sem tocar nas razões da tirania". Abaixo, trechos da entrevista concedida ontem. (LC)

FOLHA - O que deu errado na terça-feira?
OLGÁRIA MATOS - É inadmissível que uma manifestação pacífica de estudantes e funcionários tenha de se enfrentar com a polícia dentro do campus universitário. Os manifestantes podiam até ter objetivos criticáveis -ou não-, mas, desde a Academia de Platão até as universidades modernas, esse recinto é o único preservado da violência policial porque é definido como o local que luta contra a violência, contra a barbárie. É o local em que se produz conhecimento, especulações, ciência. O local que faz parte do repertório da humanidade para se humanizar. Então não é o lugar que comporte a ocupação policial contra uma manifestação de estudantes desarmados.

FOLHA - A reitoria alega que a PM foi usada para impedir a depredação do patrimônio público e o desrespeito ao direito de não grevistas…
MATOS - É preciso garantir o direito de ir e vir de todos os que participam da vida da universidade, é certo. Agora, como se chegou a esse ponto? Parece-me que os canais de contato entre os estudantes e a reitoria ou entre os funcionários e a reitoria estão muito precarizados.
Os funcionários apresentaram uma pauta de reivindicações, o que é algo obviamente legítimo.
Cabe à outra parte discuti-la.
Debatê-la. Agora, quando as instituições universitárias não debatem e, em vez disso, optam por enfrentar um protesto pacífico, de pessoas desarmadas, com o emprego de força militar, é porque têm uma sensação muito grande de perseguição. Alguma coisa muito séria está acontecendo com uma universidade que se torna incapaz de debater ideias diferentes.

FOLHA - Alunos, professores e funcionários exigem a saída da reitora…
MATOS - Do ponto de vista global da instituição, politicamente, aconteceu uma espécie de vazio de poder. Quando se usa a violência, é porque se perdeu a autoridade. A universidade não é o lugar da força ou da violência. É o lugar da autoridade…
Agora, o jogo de forças entre os vários setores da universidade é que vai definir os próximos passos. Tenho certeza de que a atitude da reitora derivou de algum aconselhamento, provavelmente de professores mais conservadores, que a pressionaram a agir dessa maneira.
Porque ela não agiria assim sem se sentir respaldada. O que tudo indica é que a reitora não tem mais condições políticas de se manter. Na medida em que ela usou a violência, pela simples recusa ao debate, ficou comprometida a sua função institucional como intelectual.
O intelectual está lá para impedir o uso das armas. Ainda assim, eu me pergunto se -de novo, e porque é mais fácil- não se estaria derrubando o tirano, em vez das causas da tirania. Você pode substituir o reitor. E depois? É por isso que existe a luta, que não é de hoje, pela democratização das instâncias que elegem o reitor.

FOLHA - A PM deve sair da USP?
MATOS - Imediatamente. A polícia estar lá é quase uma provocação… Uma sociedade é tanto mais feliz, tanto mais democrática, quanto mais ela conseguir conviver com seus contraditores. Uma sociedade que só é capaz de conversar com o mesmo não é uma sociedade.
O link, fechado para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1206200911.htm. No título desta mensagem é possível acessar o Blog do Favre (que gentilmente realizou essa reprodução).

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vou-me Embora pra Pasárgada*


por Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

* Um poema célebre, lembrado por mim sempre que vou me embora de algum lugar... Não estou indo embora do blog, apesar de ser bem ausente... Mas quis compartilhar esse poema com todos...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Apaixonada...

Não... não é mais um post daqueles bem comuns que se acha a rodo na internet, dando um Google em "amor"...

Este post, ou melhor esse texto, para ser fiel ao meu pensamento anti-americanizar-a-língua-portugesa (o que creio eu não ser possível, tendo em vista as novas regras gramaticais... mas isso é um papo para um outro post, ops, texto...)

Voltando... Escrevo para expor e concretizar (se já não o fiz) aquilo que esta tão intrinseco em mim... (quanta palavra difícil...)

Minhas paixões eternas, calmantes e sufocantes por vezes...:

* Letras, palavras, frases, prosas e poesias...

A palavra escrita. A construção de um castelo em que outros possam habitar... TEm coisa mais apaixonante do que elas? Fico besta ao ler... E gosto de ler tudo... em especial quando posso ver a alma daquele que escreveu... Tem gente que chora no cinema... Eu choro quando leio... E rio, dou gargalhadas, me assusto, fico com medo... Só de ler...

Pudera eu fazer desta paixão um ofício... Ah sonho... Sonho... Desejo... Um dia eu chego lá... Juro que chego! Prometo! Mas por enquanto fico aqui, ensaiando aquilo que um dia será um ofício...

Tudo o que é escrito é deve ser lido! Porque ao escrever (plagiando um texto, cujo autor agora me é desconhecido) construímos um castelo que, quando o lê passa a habitá-lo...

Todo castelo foi feito para ser morada, para ser lar... (um dia eu alcanço vários indíviduos apaixonados para habitarem meus textos)

* Outra paixão (e aqui eu me perco mesmo): Música! Música! Música!

Confesso que estava um tanto quanto esquecida, deixada de lado pelas correrias da vida... Mas graças à Deus, o homem criou o mp3!!!! E agora eu posso me divertir e deliciar com minhas músicas... rock, erudita, etc... Aiaiai... (suspiro)
Marvin, o andróide paranóide

* A última (pq já está dando o horário de ir embora)... tecnologias... Essa é uma questão geracional, diria minha profª Graça Setton (clique e leia o blog Midia e Educação, que por estar iniciando este ano, está bem cru... deveria ter mais coisa, artigos e etc... aguardemos)... Toda a geração de 1980 pra cá adora tudo o que tem a ver com tecnologias... especialmente computador... Eu como boa criatura nascida nos anos 80 não fujo a esta regra...



Enfim...

Qual a sua paixão?