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| cápsula bomba de gás estourada no estacionamento da FFLCH |
Mega-longo, mas interessante (e verdadeiro!) -
Grifos meus...
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Só existem piquetes porque há um
exagero de desrespeito de certos indivíduos por seus órgãos de representação
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"A conduta e a atitude democrática não fluem
de qualquer instinto, mas são frutos de uma
aprendizagem difícil e, até mesmo, antinatural porque A DEMOCRACIA, QUASE SEMPRE, É
CONSTRUÍDA PELO FREAMENTO DE INTERESSES EGOÍSTAS DE INDIVÍDUOS E GRUPOS." José Mário Pires Azanha.
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Cerca de 97 mil pessoas em mais de um 1.500.000m2
de área edificada: isto dá uma ideia
simplificada da USP. Seriam 97 mil verdades, se cada um mantivesse apenas
uma. Para agrupar e canalizar tantos pontos de vista e tantas opiniões, e
para que cada membro não tente fazer estritamente o que lhe pareça, foram
criadas e são mantidas as associações, os órgãos de representação, de funcionários, graduandos, pós-graduandos,
docentes.
Algumas pessoas dedicam muito esforço à
implementação e aperfeiçoamento da
democracia interna da Universidade. Outras, apenas acatam, ainda que
duvidem em maior ou menor grau da eficácia e da racionalidade dos órgãos de representação e suas
deliberações. Há também quem questione a legitimidade destes órgãos, em
vista do número reduzido de pessoas que participam ativamente deles.
E há hoje um número excessivo de membros da comunidade acadêmica que
ignoram deliberadamente, afrontam e boicotam sistematicamente as
decisões coletivas.
Quando um indivíduo decide isoladamente desacatar e
impedir que as decisões coletivas sejam
devidamente concretizadas, mais que inviabilizar a atuação de uma dada instituição,
está inviabilizando a própria democracia. Está sobrepondo sua opinião
particular sobre os argumentos que foram refletidos, elaborados,
enunciados, debatidos, selecionados, priorizados, votados ou consensuados
nos espaços criados especificamente para isto.
Muitas das pessoas que defendem ideias nos órgãos
criados para representá-las, fazem isto em
nome do bem comum, e inúmeras vezes defendendo ideias e vantagens
abstratas como "autonomia" universitária e "qualidade"
de ensino para todos. Conseguem com sua mobilização benéficos públicos que não excluem os que não participaram da sua consecução,
e raramente vantagens estritamente pessoais, alem da sensação de dever
cumprido. Fazem isto às custas de horas que seriam dedicadas a realizações que rendem frutos individuais
tangíveis socialmente reconhecíveis. E muitas das pessoas que
desrespeitam os órgãos criados
para representá-las, expressam não terem tempo para comparecer
quando são convocados para
as assembleias da sua categoria. E depois criticam o órgão e as decisões por serem
poucos os que deliberam efetivamente. Uma pessoa que pertença a um coletivo complexo
como a USP, quando decide se omitir de todas as oportunidades de
participação, deixando sempre a cargo dos demais todas as tarefas
referentes ao interesse coletivo, se acomoda, e nas atuais circunstancias,
age de forma irresponsável.
Mas quando essa pessoa insiste em ocupar-se
exclusivamente de assuntos de caráter particular e nunca reserva o
tempo necessário para dar
sua contribuição para o diálogo e a democracia interna, se ademais de
não comparecer, este indivíduo boicotar, desqualificar e
tentar deslegitimizar a decisão coletiva, ele deixa de ser apenas um
peso para os demais e um oportunista, e passa a ser nocivo para o
interesse do todo, e para a preservação do principio da democracia e
seus mecanismos, e é preciso que as instituições tomem medidas para
que este tipo de comportamento não comprometa o interesse da USP como
um todo.
Os canais de dialogo são criações humanas,
e, portanto são imperfeitos.
Assim como as pessoas que atuam nos órgãos
de representação. Alguns
professores e alunos que merecem todo o meu respeito informam que
ha grupos de interesse que perturbam a democracia interna em
diferentes órgãos, usando expedientes antiéticos para manipular
informações, assembleias e resultados. Pessoalmente nunca identifiquei isto, o
que eu vejo repetidamente, são sempre os mesmos lutando pela universidade
e por verbas para educação publica, tentando proteger seus salários contra
a permanente ameaça de arrocho, e defendendo interesses óbvios, mas
legítimos, ainda que corporativos. E também pessoas como eu, sem maiores ambições, que querem apenas não se omitir, estar mais do
lado das soluções que ser parte dos problemas.
Conheço pessoalmente vários professores
mobilizados, que "perdem" seu tempo
engrossando a massa de manifestantes que defendem de várias formas o bem
comum. São professores que, por exemplo, comparecem periodicamente na
Alesp quando se vota o orçamento do estado de SP, para defender verbas e
condições no ensino público. Professores que se expõem às críticas de
informados e desinformados, ficando lado a lado com os que nunca são
homenageados senão com os adjetivos de "baderneiros" "miltontos", "neo-vermelhos" etc. São os mesmos professores que
permanentemente cuidam para que nas aulas e pesquisas na Faculdade de
Educação o foco nunca se distancie da realidade nacional, das necessidades
presentes do ensino público, das escolas de gente pobre. Não apenas se mobilizam
politicamente, mas têm trabalhos diretos em comunidades exploradas, por exemplo, em Diadema ou na
Zona Leste, ou com crianças e adolescentes em situação de rua.
Mencionando três nomes apenas aqui, estou sendo injusta com todos os
outros, cujas atuações concretas pelo ensino público eu não me recordo.
Cito apenas os primeiros que me vêm à mente, professores a favor da greve, e contra a
presença da PM e pela renuncia de quem criou as condições para que a PM entrasse. São mestres que mais que
transmitir informações, ensinam
realmente, inspiram, nos formam para toda a vida:
- Profa Dra Lisete
Arelaro,
- Prof Dr. Marcos
Ferreira,
- Prof Dr. Elie Ghanem
Nunca vi evidencia de conspiração, mas,
pode ser, não duvido das pessoas que relatam sobre isto, pelo contrário, são
pessoas pelas quais tenho enorme estima pessoal, que eu conheço ha
muitíssimos anos, e merecem todo meu respeito. Se for verdade, então as pessoas
que viram, têm o dever moral de divulgar isto, de se articularem para
impedir que o grupo dominador se apodere dos espaços de decisão da USP.
Não podem dar as costas e criticar a greve abandonando as instituições e
suas
deliberações nas mãos de pessoas
especializadas em manobras. Isto inviabiliza o bom funcionamento da USP,
agrava os problemas. Não podemos compactuar com professores que, ao invés de se
mobilizarem por uma saudável democracia interna, ao verem os espaços de representação serem
usurpados, dizem - candidamente - que têm coisas melhores para fazer,
"papers", pesquisas, consultorias, etc.
A educação pública de nível superior precisa ser
defendida, para que mais este direito não
seja cada vez mais apenas uma mercadoria, à qual cada vez menos pessoas
têm acesso, como já acontece com a educação de qualidade nos níveis
elementar e médio, a saúde, a segurança pública, o transporte, etc.
E isto exige que a comunidade USP como
um todo participe ativamente, em caráter permanente e não apenas a cada
ataque sofrido, como o decreto de Serra que atentava contra a autonomia em
2007, que foi derrubado a tempo, ou a Univesp, ou a PM. As greves
até apagam certos incêndios, mas não vencem os incendiários. Os paulistas
de mais de 30 anos viram como foram sucateadas nossas escolas
estaduais, antes consideradas de qualidade, por não terem sido devidamente
defendidas.
Uma agenda que não prevê participação nos espaços
de decisão coletiva e ou discordar de
membros dos órgãos de representação não justificam esperarmos sentados até
que a serra elétrica do neoliberalismo acabe com as universidades
estaduais também.
E um penúltimo detalhe: para o bem da
USP e do ensino publico, e em nome da coerência, seria mais racional e
efetivo, que boicotar e criticar por trás, de longe, fora do alcance de
qualquer compromisso, as decisões da ADUSP, do SINTUSP e do DCE, se
articular com os que discordam, já que supostamente, são maioria, e agir.
Começando por renunciar aos aumentos de salários e outros benefícios
decorrentes das atividades de "greveiros"
"piqueteiros" "radicais" "baderneiros". E doar
proveitos já auferidos para uma causa eleita coletivamente. O último
detalhe é: na minha opinião, se os professores em geral e funcionários em
massa participassem e defendessem as causas comuns, permanentemente, em
vez de ficar cuidando estritamente de agendas visando o particular, não
haveria necessidade de tanta greve e tanto barulho, muito menos deste tipo
de piquete radical, que só aparece na mídia se conseguirem fazer vir à
tropa de choque. É porque muitos desacatam, afrontam o coletivo, boicotam,
ridicularizam, desqualificam, e poucos se interessam por causas (certas ou
erradas) comuns, que estes poucos não têm opção senão "botar pra
quebrar", porque se se limitarem aos espaços que não incomodam ninguém...
Aí que o ensino vira mercadoria e os salários viram poeira.
Lolita Sala
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"Um Estado que se declare exaurido para a
provisão de recursos para o ensino gratuito
abdica de sua condição de Estado democrático. A educação para um certo
padrão de convivência social e de participação política é tarefa essencial
na construção da sociedade democrática. Onde encontrar recursos para a
execução dessa tarefa é problema de estadistas e não de técnicos em
orçamento.
A conduta e a atitude democrática não fluem de
qualquer instinto, mas são frutos de uma
aprendizagem difícil e, até mesmo, antinatural porque A DEMOCRACIA, QUASE
SEMPRE, É CONSTRUÍDA PELO FREAMENTO DE INTERESSES EGOÍSTAS DE INDIVÍDUOS E
GRUPOS. Se quisermos construir uma sociedade democrática, o Estado deve ser
a instituição educadora por excelência no nível básico e de maneira alguma
ser ausente do ensino superior.” José Mário Pires Azanha.

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